Traços de uma aventura com a banda do Leandro Cabral, no Upstairs Lounge, no Hotel Hyatt, sexta passada. Foi bacana.segunda-feira, 17 de março de 2008
footprints
Traços de uma aventura com a banda do Leandro Cabral, no Upstairs Lounge, no Hotel Hyatt, sexta passada. Foi bacana.quinta-feira, 13 de março de 2008
contardo calligaris: é proibido viajar
"Cem anos depois da invenção do passaporte com fotografia, chegamos nisto: uma ordem que só permite se movimentar para consumir férias ou para se relocar segundo os imperativos da produção. As regras que barram o viajante expressam nossa própria miséria coletiva: perdemos de vez o sentimento de que a vida é uma aventura. Preferimos a vida feita à vida para fazer. "
trecho da coluna de hoje, na Folha de São Paulo
trecho da coluna de hoje, na Folha de São Paulo
segunda-feira, 10 de março de 2008
alta fidelidade *
sexta-feira, 7 de março de 2008
sobre a natureza de uma polaróide*
A expressão polaróide esvaziou-se.
A marca Polaroid servia para identificar uma foto obtida instantaneamente. Normalmente, uma foto inesperada, com qualidade inferior, compensada pelo resultado imediato. Como não havia outra marca de máquina fotográfica instantânea no mercado - ou porque a Polaroid dominou o recall - este tipo de foto ficou conhecida como uma polaróide.
Hoje todas as fotos - digitais - são instantâneas, inclusive as feitas em estúdio, ensaiadíssimas, iluminadíssimas, as mais preparadas. E, ao contrário das polaróides, cujo papel fotográfico era caro e esgotável, estas fotos podem ser descartadas e/ou refeitas, quantas vezes os fotógrafos e fotografados assim o desejarem. A foto digital é mais rarefeita e ainda mais fugaz do que a polaróide. Mas a expressão - polaróide - como metáfora, perdura.
Hoje, o que seria uma polaróide? Metáfora para crônica? Fragmento de um cotidiano que pode ou não revelar (arrá!) uma vida?
A nova tecnologia exige uma metáfora operante, ou então.
A marca Polaroid servia para identificar uma foto obtida instantaneamente. Normalmente, uma foto inesperada, com qualidade inferior, compensada pelo resultado imediato. Como não havia outra marca de máquina fotográfica instantânea no mercado - ou porque a Polaroid dominou o recall - este tipo de foto ficou conhecida como uma polaróide.
Hoje todas as fotos - digitais - são instantâneas, inclusive as feitas em estúdio, ensaiadíssimas, iluminadíssimas, as mais preparadas. E, ao contrário das polaróides, cujo papel fotográfico era caro e esgotável, estas fotos podem ser descartadas e/ou refeitas, quantas vezes os fotógrafos e fotografados assim o desejarem. A foto digital é mais rarefeita e ainda mais fugaz do que a polaróide. Mas a expressão - polaróide - como metáfora, perdura.
Hoje, o que seria uma polaróide? Metáfora para crônica? Fragmento de um cotidiano que pode ou não revelar (arrá!) uma vida?
A nova tecnologia exige uma metáfora operante, ou então.
polaróides*
1.
- Elizângela, esta é a Gigi.
- Oi, tudo bem? Muito prazer. O Uli fala muito em você.
- Ele não fica falando no meu cabelo, não, né?
- Não...
- Ah, ufa. Desculpa, mas eu não aguento mais as pessoas só falando no meu cabelo. Parece que não existe outra coisa no mundo. Que ridículo. Pelo amor de Deus, né, gente?! Hello-oo? Get a life! (...) Mas senta, querida, eu não mordo.
2.
- Lu, o que aconteceu aqui?
- Uma barata. Eu joguei detefon e depois botei fogo.
- Escute, eu estou indo pro escritório. Se você quiser, eu posso amarrar os restos da barata no parachoque do carro e ir esquartejando ela pelo caminho. Para servir de exemplo pras outras. Quer?
*eu avisei!
- Elizângela, esta é a Gigi.
- Oi, tudo bem? Muito prazer. O Uli fala muito em você.
- Ele não fica falando no meu cabelo, não, né?
- Não...
- Ah, ufa. Desculpa, mas eu não aguento mais as pessoas só falando no meu cabelo. Parece que não existe outra coisa no mundo. Que ridículo. Pelo amor de Deus, né, gente?! Hello-oo? Get a life! (...) Mas senta, querida, eu não mordo.
2.
- Lu, o que aconteceu aqui?
- Uma barata. Eu joguei detefon e depois botei fogo.
- Escute, eu estou indo pro escritório. Se você quiser, eu posso amarrar os restos da barata no parachoque do carro e ir esquartejando ela pelo caminho. Para servir de exemplo pras outras. Quer?
*eu avisei!
quinta-feira, 6 de março de 2008
sunday in the park with george

Estreou recentemente na Broadway um revival do musical de Stephen Sondheim, Sunday in the Park with George, escrito em 1984, se não me engano (e ganhador do Pulitzer Prize, coisa rara para um musical). A peça trata, no primeiro ato, da criação do quadro acima, Domingo à Tarde na Ilha de Grande Jatte (Dimanche à la Île Grande-Jatte), de Georges Seurat. Como se isto já não fosse etéreo o suficiente, encontramos o segundo ato cento e poucos anos depois, em Nova York, com o bisneto ilegítimo de Georges Seurat, George, artista plástico performático, tentando "ligar os pontos" (hein? hein?) e reencontrar o sentido de sua arte. Wow.
Tive a felicidade de assistir esta segunda montagem, do roundabout theatre. A primeira, histórica, com Bernadette Petters e Mandy Patinkin, existe em fragmentos por aí, para achar pela web, no you tube tem coisas lindas.
sábado, 1 de março de 2008
o chamado
Li Martin Eden, do Jack London, quando tinha uns dezessete, dezoito anos. Acho que já contei esta história, ou sinto que já contei muitas vezes, mas enfim. O livro teve uma influência definitiva nas minhas ações por vir - mais que Werther, ou Cartas a um Jovem Poeta, ou outros livros de teor romântico e humanista que li no mesmo período. É engraçado, pois estes dois últimos que citei são muito mais "bonitos". Mas Martin Eden me atingiu de uma maneira tão mobilizadora que foi o único livro que levei comigo quando saí de casa, meses depois. Suas idéias me serviram de apoio em horas de medo e solidão, de paralisia, em vários momentos que precisei de coragem. Curiosamente, o livro fala de um aventureiro que se suicida, por sentir (pelo que me lembro, já faz muitos anos) que não cumpriu sua vida a contento, que perdeu seu rumo nos corredores da alta sociedade.
Talvez por isto, ontem, tenha recebido um impacto tão grande assistindo Na Natureza Selvagem (Into the Wild), de Sean Penn. O filme conta a história de um garoto recém-formado da faculdade que doa todo seu dinheiro e cai na estrada, acompanhado de alguns poucos livros (Thoreau, London, Tolstoi) na mochila. A história é real. Durante dois anos, o menino cruzou os Estados Unidos, foi até o México, voltou e foi até o Alasca, onde acabou perecendo. O filme tenta recriar seu caminho, os encontros, as relações que estabelece, os afetos que descobre nele próprio e no mundo, a dignidade da Natureza e do Homem, Deus, as coisas maiúsculas que ficam escondidas entre as vagas do estacionamento do shopping no sábado à tarde.
Ainda não elaborei tudo. Talvez não consiga. Mas é filme para ficar cantando dentro da gente muitos dias, filme que ressoa. E, como é filme de estrada e de Alasca, filme que impregna a retina. Recomendo assistir no cinema.
Talvez por isto, ontem, tenha recebido um impacto tão grande assistindo Na Natureza Selvagem (Into the Wild), de Sean Penn. O filme conta a história de um garoto recém-formado da faculdade que doa todo seu dinheiro e cai na estrada, acompanhado de alguns poucos livros (Thoreau, London, Tolstoi) na mochila. A história é real. Durante dois anos, o menino cruzou os Estados Unidos, foi até o México, voltou e foi até o Alasca, onde acabou perecendo. O filme tenta recriar seu caminho, os encontros, as relações que estabelece, os afetos que descobre nele próprio e no mundo, a dignidade da Natureza e do Homem, Deus, as coisas maiúsculas que ficam escondidas entre as vagas do estacionamento do shopping no sábado à tarde.
Ainda não elaborei tudo. Talvez não consiga. Mas é filme para ficar cantando dentro da gente muitos dias, filme que ressoa. E, como é filme de estrada e de Alasca, filme que impregna a retina. Recomendo assistir no cinema.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
technicolor
Hoje eu fugi do trem. Não fui nem pra aula nem pra Mooca. Me fiz de louca e deixei o tempo passar. Sei lá. Estava chovendo. Garoa. Trauma. Ontem o trem demorou tanto entre o Brás e a Luz que tive a sensação de estar no Dia da Marmota*: o tempo tinha cessado, ninguém mais estava com pressa, só o cheiro do cidadão ao meu lado é que não dava trégua. Pelamordedeus, vamos abrir esta porta.
...
Pois é. É a nova moda agora nas chamadas das estações de trem e metrô:
" Atenção, jovem cidadão Jorge Silveira dos Santos, favor entrar em contato etc"
Jovem cidadão!? E aí? O Orwell está recebendo royalties?
...
Eu ainda não falei do filme "Jogo de Cena", do Eduardo Coutinho. Mas não é tarde, pois o filme ainda está em cartaz em São Paulo e não entrou em cartaz em um monte de lugares - talvez chegue direto nas locadoras e aí é o caso de comprá-lo imediatamente. Eu disse, imediatamente.
Fui rever o filme domingo passado, com duas amigas atrizes. Neste filme você sempre adivinha onde estão os atores na platéia, por causa das reações. Afinal, é um filme sobre interpretação. Sobre atuação, em muitos momentos, e sobre a interpretação - a força da interpretação sobre a verdade. Pois algumas vezes, os fatos, quando interpretados (ou reinterpretados) de nova maneira, ganham ou perdem força, ganham maior ou menor caráter de verdade. Ui, que complicado. É surpreendente perceber que a história de uma mulher pode ser mais emocionante contada por uma atriz do que pela própria mulher. Mas ela então é mais verdadeira? E a atriz, estava mentindo? O que é interpretar? ui, ui, ui.
Vou falar do que eu entendo: no filme, uma das atrizes (conhecidas) que menos se aproxima do seu personagem (real) é a Marília Pêra - sabidamente e reconhecidamente uma das maiores atrizes brasileiras. Mas ela parece criticar o personagem e, com isto, distanciar-se dele. Vemos Marília atuando, com toda a sua riqueza, mas não enxergamos uma pessoa nova ali dentro. Interessante. Já a Andréa Beltrão é uma surpresa, há uma humildade na sua entrega e na sua interpretação simples e honesta, ela tem uma generosidade surpreendente, que acaba por enriquecer o personagem que ela interpretou - e aí vem a nova discussão, ela criou outra coisa? Sim! Puxa vida, ui, ui, ui. Mas aí não é mais a verdade, é outra coisa...
E aquele filme Desejo e Reparação, não fala disto, mas fala do poder da palavra e da interpretação. Aliás, eu achei o filme chato até o final, quando de repente, o filme ficou muito bom. Como cinema (ai ai ai) é realmente bacana, tem aquele plano sequência da praia que é um deslumbre, mas precisa de mais um filme inglês de guerra com um monte de aristocratas tomando sol e um serviçal que ama a mocinha, sério mesmo? Só que o final é genial, o final traz esta questão que eu gosto muito, a da revisão, às últimas consequências.
E eu vi a Vanessa Redgrave andando na rua, num frio de rachar coco, toda enrolada num cachecol. Mas eu não sabia o que dizer. "Oi, Dona Vanessa", não era uma opção. Fiquei quieta e olhei ela passar.**
* o dia da marmota era no filme "O Feitiço do Tempo".
** isto foi há umas três semanas atrás, no Upper West Side, em NYC.
...
Pois é. É a nova moda agora nas chamadas das estações de trem e metrô:
" Atenção, jovem cidadão Jorge Silveira dos Santos, favor entrar em contato etc"
Jovem cidadão!? E aí? O Orwell está recebendo royalties?
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Eu ainda não falei do filme "Jogo de Cena", do Eduardo Coutinho. Mas não é tarde, pois o filme ainda está em cartaz em São Paulo e não entrou em cartaz em um monte de lugares - talvez chegue direto nas locadoras e aí é o caso de comprá-lo imediatamente. Eu disse, imediatamente.
Fui rever o filme domingo passado, com duas amigas atrizes. Neste filme você sempre adivinha onde estão os atores na platéia, por causa das reações. Afinal, é um filme sobre interpretação. Sobre atuação, em muitos momentos, e sobre a interpretação - a força da interpretação sobre a verdade. Pois algumas vezes, os fatos, quando interpretados (ou reinterpretados) de nova maneira, ganham ou perdem força, ganham maior ou menor caráter de verdade. Ui, que complicado. É surpreendente perceber que a história de uma mulher pode ser mais emocionante contada por uma atriz do que pela própria mulher. Mas ela então é mais verdadeira? E a atriz, estava mentindo? O que é interpretar? ui, ui, ui.
Vou falar do que eu entendo: no filme, uma das atrizes (conhecidas) que menos se aproxima do seu personagem (real) é a Marília Pêra - sabidamente e reconhecidamente uma das maiores atrizes brasileiras. Mas ela parece criticar o personagem e, com isto, distanciar-se dele. Vemos Marília atuando, com toda a sua riqueza, mas não enxergamos uma pessoa nova ali dentro. Interessante. Já a Andréa Beltrão é uma surpresa, há uma humildade na sua entrega e na sua interpretação simples e honesta, ela tem uma generosidade surpreendente, que acaba por enriquecer o personagem que ela interpretou - e aí vem a nova discussão, ela criou outra coisa? Sim! Puxa vida, ui, ui, ui. Mas aí não é mais a verdade, é outra coisa...
E aquele filme Desejo e Reparação, não fala disto, mas fala do poder da palavra e da interpretação. Aliás, eu achei o filme chato até o final, quando de repente, o filme ficou muito bom. Como cinema (ai ai ai) é realmente bacana, tem aquele plano sequência da praia que é um deslumbre, mas precisa de mais um filme inglês de guerra com um monte de aristocratas tomando sol e um serviçal que ama a mocinha, sério mesmo? Só que o final é genial, o final traz esta questão que eu gosto muito, a da revisão, às últimas consequências.
E eu vi a Vanessa Redgrave andando na rua, num frio de rachar coco, toda enrolada num cachecol. Mas eu não sabia o que dizer. "Oi, Dona Vanessa", não era uma opção. Fiquei quieta e olhei ela passar.**
* o dia da marmota era no filme "O Feitiço do Tempo".
** isto foi há umas três semanas atrás, no Upper West Side, em NYC.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
dominação mundial


Descobri quem está por trás da sandália Croc e do sorvete Melona*...

É o Cérebro!

Finalmente ele descobriu uma maneira de dominar o mundo!
O picolé da Melona parece inofensivo, até você começar a prestar atenção nele. Aí você começa a reparar que todos os hortifrutis do bairro substituíram o freezer da Kibon pelo da Melona. Aí você dá um passeio na Liberdade, onde tem um ponto de venda a cada dois metros - e eu não estou exagerando - com fila em todos. E o picolé mais barato custa 3,50.
A sandália Croc... bem, é quase um caso de Invasores de Corpos... Quem NÃO tem uma sandália Croc? Outro dia meus sogros vieram aqui em casa, os dois de sandália Croc, e quando questionados sobre a estética, bem, questionável do calçado em questão, nos obrigaram a calçá-lo. E o bicho é confortabilíssimo. Quase tão agradável quanto dois dorflex e cama. Como recusar uma sensação destas?
Fico imaginando quando é que o Pinky vai entrar em ação... fabricando um picolé de borracha macia ou uma sandália verde que derrete, sei lá... Por enquanto, tá tudo dominado.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
brainstorming/heartstorming
alot on my mind. E por isto mesmo, talvez, pouco a desenvolver. Mas, enfim.

Numa história do Will Eisner tem o episódio de um cara - Jakob, morador da avenida Dropsie, no Bronx, Nova Iorque dos anos 30 - que está sentado na rua olhando uma barata. Ele não é um mendigo, mas está perto da miséria, sem emprego e, pior, sem desejo de viver. Ele contempla o inseto e questiona: "qual a diferença entre eu e a barata? A diferença é que ela não se pergunta por que precisa continuar vivendo.Ela simplesmente sobrevive." Então um homem vem passando, apressado, e Jakob grita com ele, para que ele não pise na barata. O homem se irrita, mas desiste de bater em Jakob e segue seu caminho. À noite, em casa, sua mulher pergunta: "O que você fez hoje, Jakob?" E ele responde: "Hoje eu salvei uma barata."

Numa história do Will Eisner tem o episódio de um cara - Jakob, morador da avenida Dropsie, no Bronx, Nova Iorque dos anos 30 - que está sentado na rua olhando uma barata. Ele não é um mendigo, mas está perto da miséria, sem emprego e, pior, sem desejo de viver. Ele contempla o inseto e questiona: "qual a diferença entre eu e a barata? A diferença é que ela não se pergunta por que precisa continuar vivendo.Ela simplesmente sobrevive." Então um homem vem passando, apressado, e Jakob grita com ele, para que ele não pise na barata. O homem se irrita, mas desiste de bater em Jakob e segue seu caminho. À noite, em casa, sua mulher pergunta: "O que você fez hoje, Jakob?" E ele responde: "Hoje eu salvei uma barata."
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