
Então vamos contar a história assim:
M. e C.* têm um duo de jazz, do tipo sofisticado, que toca em lounges e bares onde as poltronas são de couro e as mesas, de carvalho . Outro dia, foram contratados para entreter musicalmente os clientes do Cafe Photo - para quem não sabe, um dos poucos puteiros remanescentes na cidade, após a lei Cidade Limpa, e o mais luxuoso de todos. Parece que o local tem três ambientes independentes, dois palcos- com show de pop e jazz - e o cachê era bom.
Sendo M. e C. heterossexuais, do sexo masculino, fizeram o favor de sair se gabando para todos os amigos que iam ganhar para passar a noite no Cafe Photo. Entra na história o nosso protagonista, J., amigo de ambos, heterossexual, do sexo masculino, que só sossegou quando conseguiu ir junto, na função de ... ah, sei lá, roadie da banda (nota: piano e sax acústicos).
A noite corria suave, com o jazz fluente, mulheres deslumbrantes deslizando pelo salão e a língua do nosso herói pendendo para fora da boca. J. não sabia mais para onde olhar. Depois de algum tempo perto do palco, bancando o importante, resolveu explorar o outro salão e subiu uma escada. Deparou-se com uma mulher magnífica, pernas fortes esculpidas em matéria dourada, ela toda, uma escultura. Os cabelos - longos, louros, soltos - só faziam destacar a pele perfeita do rosto imperial. Ela parou e o encarou. Ele ficou pasmo:
- Luciana?
- J.?!
Era a sua namorada. Há seis meses.
- Luciana?! - repetiu, assim que recuperou o fôlego - O que você está fazendo aqui?
- Eu? - ela nem piscou - Estou trabalhando. E você? O que é que você veio fazer aqui, hein, malandrão?
* os nomes foram omitidos e/ou alterados por motivos óóóóbvios